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Um Filho Que Causou Tantas
Lágrimas
[Leia-se “Santo” = Separado para Deus e não
imagens]
Santo
Agostinho não foi sempre uma pessoa piedosa. Sua
mãe, Mônica, ensinou-lhe as doutrinas do
Cristianismo e orava por ele, mas a mente incrível
de seu filho a deixava atormentada. Certo dia,
quando era adolescente, ele avisou que estava
abandonando sua fé em Cristo para seguir uma
heresia moderna! Passou a ter uma vida imoral. E
Agostinho nunca fez as coisas pela metade. Foi o
melhor e o primeiro aluno no colégio e tomou-se o
melhor e o primeiro nas festas mundanas da
juventude.
Eu
não conseguia distinguir a diferença entre o claro
brilho da afeição e a escuridão da luxúria... Eu
não conseguia permanecer dentro do reino da luz,
onde a amizade liga uma alma a outra... E, assim,
eu poluí o riacho da amizade com as águas imundas
da luxúria.
Não
dei ouvidos ao clamor dos grilhões de minha
mortalidade, ao castigo do orgulho que existia em
minha alma, e afastei-me de Ti, e Tu me deixaste
sozinho. Fui atirado de um lado para o outro, vivi
de maneira dissoluta e desregrada, mergulhei fundo
em minhas fornicações, e Tu preservaste a Tua paz,
oh, Tu, minha alegria
tardia!..
Cada
um de nós tem uma maneira própria de pecar. Alguns
se deixam enganar porque seu pecado é socialmente
aceitável; afinal, aquele pecado não é tão grave
assim. Outros sofrem as conseqüências porque seu
pecado não é aceito pela sociedade; vão parar na
cadeia ou são desprezados pelas pessoas que
costumavam chamá-los de amigos. A história de
Agostinho é igual à nossa:
A
perda da fé sempre ocorre quando os sentidos
começam a despertar. Nesse momento crítico, em que
os instintos naturais afloram, na maioria das
vezes a consciência das coisas de natureza
espiritual fica ofuscada ou totalmente destruída.
Não é a razão que afasta o jovem de Deus é a
carne. O ceticismo só serve para criar desculpas
para a nova vida que ele está
levando.
Mônica,
contudo, continuou a orar. Orava pelos pecados e
pela heresia do filho. Orava pela luta do filho
com Deus. E Agostinho sabia
disso.
Passaram
quase nove anos, nos quais eu chafurdei na lama do
mais profundo abismo e na escuridão da
hipocrisia... Durante todo esse tempo, aquela
viúva casta, piedosa e sensata... não cessou de
orar a Ti, suplicando em meu favor. E suas orações
chegaram à Tua presença; contudo, Tu continuaste a
permitir que eu me envolvesse cada vez mais
naquela escuridão.
Aqueles
anos não foram fáceis para Mônica. Qualquer mãe
que tenha um filho perdido na escuridão sabe
disso. Foram anos de sofrimento. Finalmente, ela
recorreu ao bispo, um homem devoto que conhecia
muito bem a Bíblia, e pediu-lhe que conversasse
com Agostinho para apontar seus erros. O bispo
recusou-se. Naquela época, Agostinho tinha a fama
de ser um ótimo orador e
debatedor.
Em
vez de conversar com Agostinho, o bispo dirigiu
sábias palavras de conforto a Mônica, dizendo que
uma mente tão inteligente como a de seu filho
enxergaria o caminho certo por meio das decepções.
Citou o próprio exemplo — ele havia sido
maniqueísta. Mônica não se sentiu confortada com
aquelas palavras. Continuou a implorar ao bispo em
meio a rios de lágrimas. Finalmente, cansado
diante da tenacidade daquela mulher e, ao mesmo
tempo, sem saber o que fazer diante de tanto
sofrimento, o bispo disse:
—
Vá, vá! Deixe-me em paz. Continue a viver sua
vida. Não é possível que um filho, que lhe causa
tantas lágrimas, possa se perder. Palavras ásperas
entremeadas de bondade e
compaixão.
O
filho rebelde continuou a fugir de sua mãe e de
Deus. Fugiu durante muitos anos. Um dia, porém,
Agostinho deu ouvidos a Santo Ambrósio, bispo de
Milão, o religioso mais conceituado da época.
Exausto depois de tantos anos de fuga, convicto e
quebrantado, Agostinho arrependeu-se e aceitou
Jesus. Segundo os historiadores e estudiosos
cristãos, Santo Agostinho modificou o curso da
História. Suas obras foram e continuam sendo mais
lidas do que as de quase todos os outros autores
ao longo dos séculos. Ele também é capaz de falar
à geração atual, como que transmitindo uma
mensagem de coração para coração. Santo Agostinho
levou a bom termo as esperanças e as orações
piedosas de sua mãe. Alguns dizem que ele foi uma
ferramenta usada por Deus para manter acesa a
chama do Novo Testamento quando o Império Romano
desmoronou.
Pouco
tempo depois que o Filho Pródigo voltou para casa,
sua mãe lhe disse que não tinha mais motivos para
viver. Passara a vida inteira desejando vê-lo
voltar e aceitar Jesus. Nove dias depois, ela
morreu.
O
pai do Filho Pródigo do livro de Lucas estava tão
ansioso por ver o filho retornar que o avistou
quando “vinha ele ainda longe”. Mônica fez o
mesmo. Ela o seguia de longe enquanto ele fugia;
reclamava de seus modos rebeldes quando ele
voltava para casa. Nunca parou de orar pelo filho
que lhe causou tantas
lágrimas.
Agostinho
aprendeu com ela uma lição que muitos filhos
pródigos têm aprendido a respeito de nosso Pai
celestial: “A única maneira de um homem se perder
é afastando-se de Ti; e, se ele afastar-se de Ti,
para onde irá? Ele só poderá fugir de Tua
misericórdia rumo à Tua
ira”.
Deus
deseja ardentemente mudar as pessoas, afastando-as
do foco de sua ira e levando-as em direção à sua
misericórdia. É terrivelmente penoso ver um filho
ou uma filha escolher o próprio caminho e
segui-lo, mas devemos fazer o mesmo que a mãe de
Agostinho. Foi assim que Jesus nos ensinou. Espere
por eles, ore por eles e nunca pare de orar por
eles. E, depois, olhe para a estrada com
esperança. Talvez você possa ver seu filho, aquele
que lhe causou tantas lágrimas, surgindo em meio a
uma nuvem de poeira no horizonte.
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