Paredes
Richard
A. McCray
A
fotografia cio casamento sobre a mesa zombava
deles, aqueles dois cujas mentes não mais se
entendiam.
Entre
eles, uma enorme barricada, que um tiroteio de
palavras ou a mais pesada artilharia não seriam
capazes de derrubar.
Em
algum momento da vida, entre o nascimento do
primeiro dente do filho mais velho e a formatura
da filha mais nova, eles se afastaram um do
outro.
Ao
longo dos anos, cada um desembaraçou lentamente
aquela bola de fios emaranhados chamada eu e, à
medida que tentavam desatar os nós apertados,
cada um escondeu do outro o que estava
procurando.
As
vezes, ela chorava à noite e, sussurrando,
implorava à escuridão que lhe dissesse quem ela
era. Ele, deitado a seu lado como um urso
hibernando, não se dava conta do inverno que ela
atravessava.
Um
dia, depois de terem feito amor, ele quis dizer
a ela que tinha medo de morrer, mas, temeroso de
desnudar sua alma, resolveu falar da beleza dos
seios dela.
Ela
se matriculou em um curso de arte moderna,
tentando encontrar-se nas cores pinceladas na
tela, queixando-se dos homens às outras
mulheres, dizendo que são
insensíveis.
Ele
subiu em um túmulo chamado “O Escritório”,
embrulhou sua mente em uma mortalha de números,
e enterrou-se no meio dos
clientes.
Lentamente,
a parede entre eles foi subindo, cimentada pela
argamassa da indiferença.
Um
dia, quando ambos tentaram se tocar, encontraram
uma barreira impossível de atravessar, e,
recuando diante da frieza da pedra, cada um
afastou-se do estranho do outro
lado.
Quando
o amor morre, ele não morre em momentos de ira,
nem quando corpos ardentes perdem o
calor.
Fica
estagnado, ofegante, exausto, expirando aos pés
de uma parede que não consegue
escalar.
Pense
nisso...
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