Pardais Assustados
 





Pardais Assustados

 

 

Recontada por Alice Gray

 

 

O vento começava a ganhar velocidade naquela manhã fria de dezembro, enquanto Tommy, um menino de nove anos, e seu pai subiam o morro a pé, em direção à cabana do velho Sr.

Sweeney. Tommy sentiu o cheiro da fumaça da chaminé e sabia que estavam chegando. Ele puxou o gorro de tricô para cobrir as orelhas, imaginando como seria a cabana de um ermitao. Os amigos de Tommy gostavam de falar sobre aquele homem excêntrico e comentavam, em voz baixa, o comportamento estranho que ele passou a ter depois que sua esposa morreu. Menos de um mês após o sepultamento dela, o Sr. Sweeney vendeu sua casa na cidade e foi morar no mato, retornando apenas duas vezes por ano para comprar mantimentos.

Quando pai e filho fizeram a última curva, avistaram o Sr. Sweeney na varanda olhando na direção deles, como se estivesse aguardando companhia. Tommy surpreendeu-se ao ver que, embora a pequena cabana e o celeiro necessitassem de pintura, estavam em ordem e muito bem cuidados.

Tommy sentia-se orgulhoso por estar na companhia do pai. E, quando foi apresentado ao Sr. Sweeney, apertou-lhe com firmeza a mão. Seu pai entregou ao homem uma cesta com bolinhos e geléia feitos em casa, conversou sobre a súbita mudança no tempo e convidou o Sr. Sweeney a ir à igreja na véspera do Natal. Os olhos cansados do velho anuviaram-se, e ele movimentou a cabeça negativamente. Sua voz estava um pouco mais áspera quando ele disse que não comemorava o Natal desde a morte da esposa. Além do mais, ele não via nenhum motivo para Deus ter vindo a terra como homem. Agradeceu a visita e disse que seria melhor que eles se apressassem para ir embora antes da tempestade.

Naquela tarde, o frio aumentou e o vento soprou com mais força. O Sr. Sweeney estava sozinho na cabana quando um barulho estranho o alertou. Ao olhar para fora, ele viu um bando de pardais batendo na vidraça, tentando entrar na casa para fugir da tempestade. Sabendo que os passarinhos morreriam se não encontrassem um abrigo, o velho ermitão vestiu sua jaqueta de caça e saiu em direção ao celeiro. Abriu a porta e acendeu a luz, na esperança de que os pardais entrassem ali, Ao ver que eles não entravam, ele atirou um pouco de fubá perto porta para atraí-los, mas os passarinhos se dispersaram.

Flocos de neve caíam ao redor do celeiro. O Sr. Sweeney escondeu-se agachado do lado de fora, aguardando que os pardais entrassem. Nada do que ele fez foi capaz de atrair os passarinhos dentro do celeiro. Eles estavam atemorizados e não entendiam alguém queria ajudá-los. Exausto e profundamente desapontado, Sr. Sweeney pensou: Se eu pudesse ser um pardal, eles não teriam medo de mim. Eu poderia explicar que não quero prejudicá-los. Só quero protegê-los da tempestade.

De repente, o Sr. Sweeney lembrou-se das palavras que sua esposa havia proferido: “Deus veio à terra como homem porque não havia outro meio de nos provar quanto Ele nos ama.” Lágrimas correram pelo rosto daquele homem enquanto observava os pardais do lado de fora do celeiro.

 Naquela noite, Tommy continuou a pensar no homem idoso, imaginando como seria passar uma noite de tempestade sozinho na cabana no alto do morro. O menino perguntou ao pai se eles poderiam voltar a visitar o Sr. Sweeney na manhã seguinte. Talvez ele tivesse mudado de idéia a respeito do Natal. O pai sorriu e disse:

— Claro. Tommy foi dormir e puxou o cobertor para perto do queixo. Pediu a Deus que enviasse um milagre para ajudar o Sr. Sweeney a ir à igreja com sua família na véspera do Natal. Tommy não sabia que seu Pai amoroso já havia respondido àquela oração.




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