Desgovernados
 

Desgovernados

 


Sl 37. 5 – Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e Ele tudo fará.


 

Em uma manhã de inverno, um ano antes de eu ingressar na escola, meu pai me convidou para ajudá-lo a alimentar as vacas. Achei que seria divertido. Vesti roupas grossas, calcei minhas luvas de couro amarradas por cordões, e saí com meu pai para assumir meu lugar no mundo do trabalho.

Era uma manhã agradável. Apesar do frio, o sol brilhava com intensidade, e o chão estava coberto com uma camada de neve. Arreamos a dupla Babe e Blue e subimos a montanha com uma carroça cheia de feno. Quando encontramos as vacas, descarregamos o feno e iniciamos o caminho de volta para casa. De repente, meu pai teve uma idéia:

— Você gostaria de dirigir a carroça? — ele perguntou.

Eu respondi de maneira tipicamente machista. Gosto de dirigir qualquer coisa: carros, caminhões, carrinhos de golfe ou carroças puxadas por burros. Penso que isso me dá poder... Há uma sensação muito grande de poder quando estou no controle de alguma coisa maior do que eu, e isso faz bem ao meu ego masculino.

Peguei as rédeas, prendi-as nas mãos conforme meu pai me mostrou, e seguimos lentamente para casa. Fiquei emocionado. Estava no controle. Estava dirigindo. Mas a caminhada lenta deixou-me entediado. Decidi que, enquanto eu estivesse no controle, devíamos acelerar mais. Aticei os cavalos, e eles começaram a correr. A princípio, eles trotaram, e eu achei que o ritmo estava bom. Chegaríamos mais rápido em casa. Mas Babe e Blue tiveram outra idéia. Decidiram que, se corressem, chegaríamos mais rápido ainda.

Os cavalos puseram em prática sua idéia e começaram a correr. De acordo com o que me lembro, eles estavam correndo rápido demais, como cavalos no hipódromo, porém essa observação deve conter um certo grau de exagero. Mas eles estavam correndo. A carroça sacolejava ao cruzar a esburacada estrada de terra. Quando passamos voando pelas campinas, concluí que estávamos em perigo e comecei a fazer o melhor que podia para reduzir a velocidade daqueles cavalos desgovernados. Puxei as rédeas com tanta força que cheguei a sentir cãibras nas mãos. Gritei e supliquei, mas de nada adiantou. Babe e Blue continuavam a correr. - Olhei de relance para meu pai e vi que ele estava sentado calmamente, olhando a pastagem e observando o mundo passar por ele. Naquela altura, eu estava apavorado. As rédeas cortavam minhas mãos, e lágrimas corriam por meu rosto quase congelado por causa do frio. E meu pai continuava tranqüilo, observando o mundo passar por ele.

Finalmente, no auge do desespero, eu me virei e disse a ele da maneira mais calma que consegui:

— Pegue as rédeas, papai, não quero mais dirigir.

Agora que sou mais velho e as crianças me chamam de vovô, eu me lembro daquela cena pelo menos uma vez por dia. Independentemente de quem somos, da idade que temos, de nossa experiência ou influência, existe sempre aquele momento em que nossa única reação é nos virarmos para o Pai e dizer:

— Pegue as rédeas, não quero mais dirigir.

 

Autor: Cliff Schimmels

 
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