Carla
Muir
Uma
próspera empresa de produtos de beleza pediu aos
habitantes de uma cidade grande que enviassem fotografia
acompanhada de uma breve carta explicativa, das mulheres
ma belas que eles conheciam. Em poucas semanas, milhares
de cartas foram enviados à empresa.
Uma
carta, em particular, chamou a atenção dos funcionários
e encaminhada ao presidente da empresa. A carta era
escrita por um menino que, evidentemente, foi criado em
um lar com problemas, em algum bairro de extrema
pobreza. Este é um trecho da carta, com devidas
correções de grafia:
“Na
minha rua mora uma mulher bonita. Eu vou a casa dela
todos os dias. Ela me faz sentir o menino mais
importante do mundo. Jogamos damas juntos, e ela ouve
meus problemas. Ela me entende quando vou embora, sempre
diz, bem alto na porta, que sente orgulho de
mim.
O
menino terminava a carta dizendo: “Esta fotografia
mostra que ela é a mulher mais bonita do mundo. Espero
ter uma esposa tão bonita quanto ela”.
Intrigado
com a carta, o presidente pediu para ver a fotografia
mulher. Sua secretária lhe entregou a foto de uma mulher
sorridente, sem nenhum dente na boca, de idade avançada,
sentada em cadeira de rodas. O ralo cabelo grisalho
estava preso em formato de birote, e as rugas que
marcavam seu rosto eram suavizadas pelo brilho que vinha
de seus olhos.
—
Não podemos usar a fotografia desta mulher — explicou o
presidente, sorrindo. — Ela mostraria ao mundo que
nossos produtos não são necessários para uma mulher ser
bela.