Cinderela

 
 

 

Cinderela

 

 

Max Lucado

 

 

Recebi um telefonema de um amigo chamado Kenny. Ele e sua família tinham acabado de voltar de uma viagem à Disneylândia.

— Vi uma cena da qual jamais me esquecerei — ele disse. — Quero descrevê-la para você.

Ele e a família estavam dentro do castelo da Cinderela, lotado de crianças e pais. De repente, todas as crianças correram para um dos lados do castelo. Se aquilo fosse um barco, teria tombado. Cinderela havia chegado.

Cinderela. A princesa dos contos de fadas. Kenny contou que ela era perfeitamente talhada para aquele papel. Uma jovem deslumbrante, com os cabelos bem arrumados, pele lisa e sorriso radiante. Estava rodeada por um mar de crianças, cujas alturas não passavam de sua cintura, cada uma querendo tocá-la e ser por ela tocada.

Por um motivo qualquer, Kenny virou-se e olhou para o outro lado do castelo. Não havia ninguém ali, a não ser um menino de uns sete ou oito anos. Era difícil saber a sua idade, em razão da deformidade de seu corpo. Ele tinha a altura de um anão e o rosto desfigurado. Observava tudo de longe, calado e tristonho, segurando a mão de um irmão mais velho.

Você sabe o que ele queria? Ele queria estar com as crianças. Desejava muito estar no meio das crianças que tocavam na Cinderela, chamando-a pelo nome. E você é capaz de compreender seu medo, medo de mais uma rejeição? Medo de ser hostilizado mais uma vez, ridicularizado mais uma vez?

Você gostaria que a Cinderela fosse ao encontro dele? Adivinhe o que aconteceu. Ela foi!

Ela notou a presença do menino e caminhou imediatamente em sua direção. Com habilidade e firmeza, ela foi abrindo caminho por entre as crianças, até desvencilhar-se delas. Atravessou o recinto rapidamente ajoelhou-se até ficar no nível dos olhos do menino assustado e lhe deu um beijo no rosto.

— Achei que você gostaria de ouvir esta história — disse-me Kenny.

 

Eu gostei. Ela me fez lembrar de outra história. Os nomes são diferentes. Mas será que a história não é quase igual? Em vez da princesa de Disney, o Príncipe da Paz. Em vez de um menino no castelo, um ladrão na cruz. Em ambos os casos, um presente foi dado. Em ambos os casos, o amor foi repartido. Em ambos os casos, a criatura encantadora fez um gesto que vale mais que mil palavras.

Mas Jesus fez mais que a Cinderela. Ah, muito mais!

A Cinderela deu apenas um beijo. Quando se levantou para ir embora, levou consigo sua beleza. O menino continuou deformado. E se a Cinderela tivesse feito o que Jesus fez? E se ela tivesse assumido o lugar do menino? E se ela tivesse transferido um pouco de sua beleza para o menino, retirando dele um pouco de sua deformidade?

Foi o que Jesus fez.

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades... foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

Não se engane:

Jesus deu mais que um beijo — Ele deu sua beleza.

Jesus pagou mais que uma visita — Ele pagou por nossos erros.

Jesus levou mais que um minuto — Ele levou nossos pecados.

 

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