Aconteceu
na semana passada. Depois que todos da família e
recolheram a seus quartos, coloquei um pouco
mais de lenha na lareira, sentei-me em minha
cadeira favorita e li por mais de uma hora. No
decorrer da leitura, encontrei alguns
pensamentos compilados por Ed Dayton, um antigo
líder do ministério Visão Mundial. Suas palavras
fizeram-me retroceder muitos anos no tempo,
quando ele mencionou ter assistido a um filme de
curta-metragem chamado The Giving Tree [A Árvore
Generosa], uma história simples e fantasiosa
sobre uma árvore que amava um
garoto.
Quando
era pequeno, o garoto balançava-se em seus
galhos, subia nela, comia suas maçãs e dormia à
sua sombra. Eram tempos felizes e sem
preocupações. A árvore gostava muito dessa
época.
Porém,
à medida que foi crescendo, o garoto passava
cada vez menos tempo com a
árvore.
—
Vamos brincar — convidou a árvore um dia, mas o
rapaz estava interessado apenas em dinheiro. —
Apanhe minhas maçãs e
venda-as.
O
rapaz aceitou a sugestão, e a árvore ficou
feliz.
Ele
ficou muito tempo sem aparecer, mas, no dia em
que retornou, a árvore
sorriu.
—
Vamos brincar — ela disse, mas o jovem
tornara-se adulto e estava cansado deste mundo.
Queria sumir.
—
Derrube-me ao chão — prosseguiu a árvore. —
Pegue meu tronco e faça um barco para você e
navegue com ele.
Ohomem aceitou a sugestão, e a árvore
ficou feliz.
Muitos
anos se passaram — verões e invernos, dias de
vento e noites solitárias — e a árvore continuou
esperando. Finalmente, o homem retornou, velho e
cansado demais para brincar, para sair em busca
de riqueza, para navegar os
mares.
—Fui cortada, mas ainda sobrou um toco,
meu amigo. Que tal sentar-se aqui e descansar? —
disse a árvore.
Ovelho aceitou a sugestão, e a árvore
ficou feliz.
Com
os olhos fixos no fogo, eu fiz uma retrospectiva
de minha vida, comparando-a com a da árvore e a
daquele menino. Identifiquei-me com ambos — e me
entristeci.
Quantas
árvores generosas eu tive na vida? Quantas me
deram parte delas para que eu crescesse,
alcançasse meus objetivos, fosse um homem
realizado, encontrasse satisfação?
Muitas...muitas mesmo. Obrigado, Senhor, por
todas elas. Seus nomes não caberiam nesta folha
de papel.
Ofogo extinguiu-se, e a lenha
transformou-se em carvão incandescente. Já era
tarde da noite quando me deitei. Eu havia
chorado, mas agora sorria.
—Boa-noite, Senhor — eu disse. Eu era um
homem agradecido. Agradecido por ter tido tempo
de refletir.
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