The Face In The Glass
 
 

 

 

 

No Momento Certo

 

Roger Simms tinha acabado de prestar o serviço militar estava ansioso por tirar a farda de uma vez por todas. Na volta para casa, seguiu a pé pela estrada tentando conseguir carona, mas sua mochila pesada era um empecilho a mais para que alguém parasse. Ao fazer um sinal com o polegar para um carro que passava, ele perdeu as esperanças ao ver que se tratava de um carro preto, reluzente e caro, tão novo que tinha uma licença provisória colada no vidro traseiro.., um tipo de carro cujo dono dificilmente pararia para dar carona a alguém.

Porém, para sua surpresa, o motorista parou e abriu a porta do lado do passageiro. Roger correu até o carro, colocou sua mochila com cuidado no banco traseiro e sentou-se no banco de couro ao lado Rio motorista. Foi saudado com um sorriso amistoso de um senhor distinto, de cabelos grisalhos e pele bronzeada.

—Oi, filho. Você está de folga ou voltando definitivamente para casa?

Acabei de servir ao exército e estou voltando para casa pela primeira vez depois de muito tempo — respondeu Roger.

- Você tem sorte se estiver indo para Chicago — disse o homem sorrindo.

Não vou para tão longe assim, mas minha casa fica no caminho.

O senhor mora lá?

- Meu nome é Hanover. Sim, dirijo um negócio em Chicago.

 Dito isso, eles seguiram viagem.

Depois de cada um ter contado resumidamente a história de sua vida e conversado sobre tudo o que existe debaixo do sol, Roger (que era cristão) sentiu um grande desejo de falar de Cristo ao Sr. Hanover. Mas a idéia de dar um testemunho a um empresário mais velho e rico, que devia ter tudo o que queria, era um tanto assustadora. Roger resolveu esquecer o assunto, mas, quando se aproximou de seu destino, ele se deu conta de que seria agora ou nunca.

— Sr. Hanover — Roger começou a dizer —, eu gostaria de conversar com o senhor sobre uma coisa muito importante.

Roger prosseguiu falando da salvação até chegar ao ponto de perguntar ao Sr. Hanover se ele gostaria de aceitar a Cristo como seu Salvador. Para grande surpresa de Roger, o Sr. Hanover dirigiu-se para o acostamento. Por um instante, Roger imaginou que seria atirado para fora do carro. Em seguida, aconteceu um fato estranho e maravilhoso: o empresário curvou a cabeça sobre o volante e começou a chorar, afirmando que desejava aceitar a Cristo em seu coração. Agradeceu a Roger e disse:

— Essa foi a coisa mais maravilhosa que já me aconteceu!

Em seguida, ele deixou Roger em casa e seguiu viagem rumo a Chicago.

Passaram cinco anos. Roger Simms casou-se, teve um filho e começou a dirigir um negócio próprio. Certo dia, enquanto arrumava a mala para fazer uma viagem de negócios a Chicago, ele encontrou, por acaso, o pequeno cartão de visitas, com letras douradas, que o Sr. Hanover lhe dera anos antes.

Quando chegou a Chicago, Roger procurou as Empresas Hanover na lista telefônica. Localizava-se no centro da cidade em um edifício comercial muito alto e de fina aparência. A recepcionista lhe disse que seria impossível ver o Sr. Hanover, mas, como Roger era um velho amigo, poderia conversar com a Sra. Hanover. Um pouco desapontado, ele foi conduzido a um elegante escritório onde havia uma senhora de uns 50 anos sentada diante de uma enorme mesa de carvalho.

Ela estendeu-lhe a mão.

            Você conheceu meu marido?

Roger contou que o Sr. Hanover havia sido muito bondoso ao lhe dar uma carona até sua casa.

Um olhar de interesse passou pelo rosto da mulher.

            Você saberia me dizer em que data isso aconteceu?

            Claro — disse Roger. — Foi no dia 7 de maio, cinco anos atrás, o dia em que fui dispensado do exército.

            E aconteceu alguma coisa especial durante a viagem... uma coisa diferente?

Roger hesitou. Deveria mencionar o testemunho que deu? Teria havido alguma discussão entre o casal, que resultou em separação ou desquite? Porém, mais uma vez, ele sentiu o desejo de falar do Senhor.

            Sra. Hanover, seu marido aceitou a Cristo naquele dia. Eu lhe falei sobre a mensagem do evangelho. Ele dirigiu o carro para o acostamento e chorou. Em seguida, quis fazer a oração da salvação.

De repente, ela começou a chorar copiosamente. Depois de alguns minutos, conseguiu recompor-se para explicar o que acontecera:

            Fui criada em um lar cristão, mas meu marido não. Orei pela salvação dele durante muitos anos e acreditava que Deus o salvaria. Mas, logo após você ter descido do carro, no dia 7 de maio, ele morreu vítima de uma violenta colisão frontal. Não voltou para casa. Pensei que Deus não tivesse cumprido sua promessa. Faz cinco anos que parei de viver para o Senhor, porque o culpava por Ele não ter cumprido sua palavra.

Eu ‘me identifico com a Sra. Hanover. Talvez você também.

Existem longos e solitários períodos da vida em que parece que Deus simplesmente se tornou indiferente aos nossos apelos ou que está cansado e apático diante de nossas orações fervorosas.

A situação é semelhante à de alguém que vê um presente sob uma árvore de Natal, muito bem embrulhado, misterioso e inacessível. À medida que o tempo passa e as esperanças diminuem, começamos a questionar se Deus tem realmente algum presente para nós.

Talvez você esteja aguardando muito tempo para que ocorra uma transformação em sua vida. Talvez esteja aguardando uma mudança em seu estado de saúde, em seus relacionamentos, em seu cônjuge, em seus filhos, em seu trabalho, em suas finanças, em sua vida espiritual. E a impressão é a de que a situação não vai mudar nunca. Parece que o Natal nunca vai chegar. Parece que a luz nunca vai mudar. Parece que você pediu socorro ao Senhor mais de mil vezes e ele nunca respondeu.

Maria e Marta conhecem muito bem esse assunto. Elas viram seu irmão enfraquecer e definhar. Sua vida escapou-lhes pelos dedos como se fosse grãos finos de areia. Elas não puderam fazer nada, e o Senhor não chegava.

Mas, de repente, Ele chegou. E já era tarde. Mas não era tarde demais, porque o que Ele tinha em mente era muito maior que os pensamentos, as esperanças e os sonhos que aquelas duas mulheres sequer imaginaram pedir.

Foi uma Coisa Muito Boa embrulhada em uma Coisa Muito Ruim. E Ele próprio entregou a encomenda... no momento certo.

Ele sempre faz isso.

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