Historia da Inquisição - 2
 
 
 

A PERSEGUIÇÃO AO Dr. EGÍDIO

 

O Dr. Egídio foi educado na universidade de Alcalá, onde recebeu vários títulos e aplicou-se, particularmente, ao estudo das Sagradas Escrituras e da teologia escolástica. Após a morte de um professor de teologia, ele foi eleito seu substituto, e atuou satisfatoriamente até que a sua reputação de erudito e piedoso estendeu-se por toda a Europa.

Sem dúvida, Egídio tinha inimigos, e estes se queixavam perante a Inquisição. Uma reunião foi marcada pelos inquisidores, e ele, ao comparecer, foi levado ao calabouço.

Por aprovar as doutrinas de Egídio e considerá-las perfeitamente coerentes com a verdadeira religião, a maioria dos membros da Catedral de Sevilha e muitas pessoas que pertenciam ao bispado de Dortois fizeram uma petição ao imperador a seu favor. Ainda que o monarca houvera sido educado como católico, estava longe de ser um fanático, e enviou imediatamente uma ordem para que Egídio fosse liberado.

Pouco depois visitou a igreja de Valladolid, e fez tudo o que pôde para promover a causa da religião. Ao voltar para casa, adoeceu pouco depois e morreu na mais extrema velhice.

Os inquisidores, frustrados em satisfazer sua malícia contra ele em vida, decidiram (enquanto todos os pensamentos do imperador dirigiam-se a uma campanha militar) vingar-se dele já morto. Assim, pouco depois de sua morte, empreenderam um processo legal, onde ordenaram que seus restos mortais fossem exumados e queimados.

 

A PERSEGUIÇÃO AO Dr. CONSTANTINO

 

O Dr. Constantino, amigo íntimo do já mencionado Dr. Egídio, era um homem de profunda erudição, e naturalmente dotado de capacidades incomuns. Além de conhecer várias línguas modernas, estava familiarizado com as línguas latina, grega e hebraica, e não só conhecia bem as ciências abstratas, mas também as artes que se denominam como literatura amena.

Sua eloqüência tornava-o prazenteiro, e a retidão de sua doutrina fazia dele um pregador proveitoso. Era tão popular que nunca pregava sem multidões a escutá-lo. Muitas foram às oportunidades de ascensão na Igreja, porém nunca as aproveitou. Se lhe ofereciam uma renda maior, recusava, mediante a declaração: “Estou satisfeito com o que ganho”; e com freqüência pregava tão duramente contra a simonia, que muitos de seus superiores, que não eram tão restritos nesta questão, discordavam, por isso, de suas doutrinas.

Após o protestantismo ficar plenamente confirmado pelo Dr. Egídio, pregava abertamente somente as doutrinas que concordavam com a pureza do Evangelho, sem as contaminações dos erros que, através de eras, infiltraram-se na Igreja de Roma. Por esta razão, ele tinha muitos inimigos entre os católicos e, alguns deles, totalmente dedicados a destruí-lo.

Um digno cavalheiro chamado Scobaria, que havia fundado uma escola de teologia, designou o Dr. Constantino como professor. Este empreendeu imediatamente a tarefa, e conferenciou, em seções, sobre Provérbios, Eclesiastes e Cantares. Começava a expor o livro de Já, quando foi preso pelos inquisidores.

O Dr. Constantino havia confiado a uma mulher chamada Martín vários livros, para ele muito preciosos; porém, perniciosos para a Inquisição. Esta mulher, denunciada como protestante, foi presa. Depois de um breve processo, ordenou-se a confiscação de seus bens; porém, antes da chegada dos oficiais à sua casa, seu filho retirara vários baús cheios com os artigos mais valiosos, entre eles, os livros do Dr. Constantino.

Um criado traidor delatou o fato aos inquisidores, que despacharam um oficial para exigir os baús. O filho, ao supor que o oficial só queria os livros de Constantino, disse-lhe: “Sei o que busca, e lhe darei imediatamente”. Entregou-lhe então os livros e papéis do Dr. Constantino, o que deixou o oficial muito surpreso ao encontrar algo que não esperava. Sem dúvida, disse ele ao jovem, estava feliz por ele haver entregado os livros e papéis; porém, tinha de cumprir sua missão, que era levá-lo junto com os bens que tomara para os inquisidores. O jovem bem sabia que seria inútil protestar ou resistir; submeteu-se, portanto, à sua sorte.

Os inquisidores, agora de posse dos escritos de Constantino, tinham material suficiente para incriminá-lo. No interrogatório, apresentaram-lhe um de seus papeis, e perguntaram-lhe se conhecia de quem era o escrito. Ao dar-se conta de que era tudo seu, admitiu o escrito e justificou a doutrina nele contida, ao dizer: “Nem neste e nem noutro de meus escritos, apartei-me da verdade do Evangelho, mas sempre tenho em vista os puros preceitos de Cristo, tal como ele os entregou à humanidade”.

Depois de permanecer mais de dois anos no cárcere, o Dr. Constantino foi vítima de uma enfermidade que provocou uma hemorragia, a qual pôs fim às suas misérias neste mundo. Não obstante, o processo foi concluído e cumprido contra o seu corpo, queimado publicamente num auto da fé.

 

Autor John Fox.

 

**Para receber mensagens clique aqui**

Filho Pródigo Mensagens

Louvar a Deus Musicas

 
 

Alexandre