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A QUINTA PERSEGUIÇÃO SOB SEVERO, EM 192
D.C. Severo, recuperado de uma grave enfermidade após haver
recebido cuidados de um cristão, chegou a ser um grande benfeitor dos
cristãos em geral. Ao prevalecer, porém, os preconceitos e a fúria da
multidão ignorante, foram postas em ação leis obsoletas em relação aos
adeptos do cristianismo. O avanço do movimento alarmava os pagãos e
reavivava o velho hábito de se culpar os cristãos pelas desgraças
acidentais que sobrevinham. Esta perseguição desencadeou-se em 192
d.C. Embora rugisse a malícia persecutória, o Evangelho
resplandecia fulgurantemente; firme como uma rocha, resistia com êxito aos
ataques dos inimigos. Tertuliano, que viveu nessa época, informa-nos que,
se os cristãos houvessem se retirado em massa dos territórios romanos, o
império teria ficado grandemente
despovoado. Victor, bispo de Roma, sofreu o martírio no primeiro ano do
terceiro século, em 201 d.C. Leônidas, pai do célebre Orígenes, foi
decapitado por Cristiano. Muitos dos ouvintes de Orígenes também foram
martirizados; em particular dois irmãos, Plutarco e Sereno. Um outro
Sereno, e também Herón e Heráclides, foram decapitados. Com Rhais deu-se o
seguinte: derramaram-lhe breu fervente sobre a cabeça, e logo o queimaram,
como também a sua mãe Marcela. Potainiena, irmã de Rhais, foi executada da
mesma forma que ele. Entretanto, Brasílides, oficial do exército, que
recebeu ordens para presidir a execução, converteu-se ao
Evangelho. Quando pediram a Brasílides que fizesse um certo juramento,
afirmou que não poderia jurar pelos ídolos romanos, porque era cristão.
Cheia de estupor, a multidão não podia crer no que ouvia; porém, após
confirmar o que dissera, ele foi arrastado à presença do juiz, lançado no
cárcere e, pouco depois, decapitado. Irineu, bispo de Lyon, nascera na Grécia e recebera uma
educação esmerada e cristã. Supõe-se, em geral, que o relato das perseguições em Lyon
tenha sido escrito por ele mesmo. Sucedeu ao mártir Potino, como bispo de
Lyon, e pastoreou com grande discrição sua comunidade cristã; opunha-se
fervorosamente às heresias em geral e, por volta de 187 d.C., escreveu um
célebre tratado contra as mesmas. Victor, bispo de Roma, desejoso de impor
ali a observação da Páscoa, ao preferir este a outros lugares, provocou
algumas desordens entre os cristãos. De maneira particular, Irineu
escreveu-lhe uma epístola sinódica, em nome das igrejas
galicanas. Este zelo pelo cristianismo acabou por destacá-lo como
objeto de ressentimento diante do imperador, o que lhe custou à
decapitação em 202 d.C. As perseguições, ao se estenderem à África, provocaram a
morte de muitos cristãos. Mencionaremos os mais destacados entre
eles: Perpétua, de aproximadamente vinte e dois anos, casada. Com
ela sofreram Felicitas, também casada e em adiantado estado de gestação, e
Revocato, escravo e catecúmeno de Cartago. Outros presos destinados a
sofrer nessa ocasião foram Satumino, Secúndulo e Satur. No dia marcado
para a execução deles, foram levados ao anfiteatro. A Satur, Secúndulo e
Revocato mandaram que corressem entre os domadores das feras. Estes,
dispostos em duas fileiras, flagelavam-nos severamente enquanto corriam.
Felicitas e Perpétua foram despidas e expostas a um touro bravo, que se
lançou primeiro contra Perpétua, deixando-a inconsciente; logo se
arremessou contra Felicitas, e a içou terrivelmente pelos chifres. Como
ambas continuassem vivas, o carrasco atravessou-as com uma espada.
Revocato e Satur foram devorados pelas feras; Satumino foi decapitado, e
Secúndulo morreu no cárcere. Estas execuções aconteceram em março de 205
d.C. Esperato e outros doze foram decapitados, e o mesmo aconteceu com
Androcles, na França. Asclepíades, bispo de Antioquia, sofreu muitas
torturas, mas não foi morto. Cecília, jovem dama de uma boa família em
Roma, casada com um cavaleiro chamado Valeriano, ganhou o marido e o irmão
para Jesus, que foram por isso decapitados. O oficial que os levou à
execução foi convertido por eles e sofreu a mesma sorte. A dama foi
lançada despida em um banho fervente e, após permanecer ali um tempo
considerável, foi decapitada. Isto aconteceu em 222
d.C. Calixto, bispo de Roma, sofreu o martírio em 224 d.C, mas
não há registro sobre a forma de sua morte. Urbano, bispo de Roma, sofreu
a mesma sorte em 232 d.C.
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